Minha
infância e minhas imaginações
Aproveitei
muito minha infância, apesar, que também, chorei muito, queria ficar com a
minha avó e não com a minha mãe.
Eu
morei em Mogi Mirim desde quando nasci até dez anos, todavia, mudei-me para São
Paulo na casa dos meus avós (pais da minha mãe) durante quatro vezes.
Brincava
muito na casa da minha avó Maria, mãe do meu pai, ela morava em uma casa que
tinha uma antena de televisão igual à antena do Pico do Jaraguá, mas bem menor.
Eu entrava na antena e começava a cantar o Hino do Sesquicentenário da
Independência. Na minha imaginação estava em outro planeta dentro de uma
espaçonave. Só sabia esta parte da música: “Sesquicentenário e vamos mais e mais,
na festa, do amor e da paz”, o porquê cantar essa música não sei.
Minha
mãe era cabelereira e tinha um secador de cabelos, daquele que se coloca a
cabeça dentro. Eu o empurrava pra lá e pra cá dizendo que era o robô do filme “Perdido
no Espaço”.
Estudava
em uma escola na qual um dos caminhos era no meio de um matagal. Um dia eu e
meu amigo Junior cismamos de fazer este caminho para voltar, depois juramos ver, mula sem cabeça e Saci Pererê.
No
fundo da minha casa havia alguns pés de frutas. Tinha uma jabuticabeira, cada
um dos meus amigos, Adalgisa, Junior, meu irmão Marcos e eu também, subíamos na
árvore, os galhos eram nossos apartamentos e as jabuticabas bombons.
Eu
sempre era a última sair da sala de aula e pedia giz para a professora. Quando
chegava em casa, trocava de roupa, saía, eu, a Adalgisa, Junior, Benjamin,
Wagner e meu irmão desenhávamos muitas flores na rua, achávamos que aquele
desenho era um tapete. Ficávamos bravos quando alguém passava de carro ou
bicicleta.
No
quarto dormíamos eu e meu irmão. Nas camas, de solteiro, tinha criado-mudo
acoplado. Brincávamos que a cama era carro, o criado-mudo era farol.
Desde
pequena, tanto eu como meu irmão participávamos das missas com a minha avó
Maria. Na hora da comunhão víamos a hóstia sendo entregue aos fiéis. Pela nossa
idade, na época, não era possível fazer a primeira comunhão e consequentemente
receber a hóstia. O que fazíamos? Como minha mãe comprava bolacha Maria
redonda, brincávamos de missa e a bolacha era hóstia. Houve alguns engasgos.
Quando
eu vinha para São Paulo, gostava de ficar em um campinho vizinho da casa da
minha avó onde as crianças brincavam de futebol, pular corda, bolinha de gude,
pipa. Tinha uma pedra na calçada, eu sentava e imaginava estar andando a
cavalo.
Esta
foi minha infância cheia de imaginações.



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